Qual é melhor forma de conhecer as construções na cidadela de Machupicchu ??

A melhor forma de conhecer as construções na cidadela de Machupicchu é dividindo-a em dois setores principais: o setor agrícola e o setor urbano. O setor agrícola é o primeiro que o viajante se depara ao ingressar na cidade a partir de onde está o hotel para turistas. Neste setor se observam terraços artificiais bastante extensos, sendo estes apenas alguns dos muitos que dizem existir na área e cuja maior parte estariam cobertos pela densa vegetação do lugar. Os terraços serviam principalmente para o cultivo, mas também para conter as erosões produzidas pelas chuvas. Existem cinco construções que possivelmente serviram como depósitos e de moradia para agricultores que cultivavam o local. Na parte superior destes terraços existe uma pequena habitação de apenas três paredes e com três janelas, conhecida como Posto de Vigilância, construída em um lugar estratégico de onde se tem uma vista ampla dos dois lados do rio Urubamba e de onde se obtém as fotografias clássicas de Machupicchu.

 

Bem próximo deste local encontra-se a “Rocha funerária” que é uma grande pedra talhada de maneira a parecer um altar, com três degraus, um suporte lateral e uma saliência na parte superior. Essa rocha aparenta ter tido uma estreita ligação com a observação solar pois no solstício de inverno a luz do sol se projeta precisamente nela desde Intipunku (“porta do sol”). Segundo alguns autores, serviu também para realizar o embalsamento das pessoas mortas e a secagem das múmias.

 

Entre o setor agrícola e o setor urbano existe um grande “Fosso Seco” que foi construído, aproveitando uma falha natural na rocha, como uma barreira entre os dois setores. Machupicchu foi uma cidade muito exclusiva e sua população selecionada entre a nobreza, por isso teve um sistema de segurança e proteção bastante eficaz. Transpondo o Fosso Seco entra-se no setor urbano.

 

Logo depois de atravessar o “Fosso Seco” chega-se ao “Templo do Sol”, uma das construções mais fantásticas de Machupicchu. O Templo do Sol foi construído sobre uma imensa pedra e possui forma semi-circular com pedras unidas perfeitamente o que caracteriza estilo arquitetônico Inca Imperial. A parede semicircular possui duas janelas, uma delas em direção ao oriente e outra voltada para o norte. Para alguns pesquisadores essas duas janelas constituem o observatório solar mais importante em Machupicchu. Na janela para o norte se pode observar o solstício de inverno baseado nas projeções e medições de sombras na rocha central. Ambas as janelas, pelo lado de fora, possuem vigas que possivelmente serviram para sustentar outros objetos usados na observação solar. No centro do templo encontra-se o altar talhado na própria rocha que certamente serviu para realizar diversas cerimônias em honra ao Sol. Alguns autores sugerem que ali se executavam sacrifícios de animais que tinham seus corações e vísceras analisados para predizer o futuro. A parede lateral do templo é reta e possui uma janela com orifícios feitos no próprio batente que é  conhecida como a “porta das serpentes”. Os orifícios são similares aos encontrados no “Templo das Estrelas” em Cuzco e possivelmente ostentavam adornos em pedras e metais preciosos. As paredes internas do Templo do Sol apresentam em seu interior cavidades trapezoidais onde possivelmente se colocavam ídolos e oferendas. Alguns autores supõem que originalmente o templo deveria ter um teto cônico feito de madeira e palha. Debaixo do Templo do Sol existe uma gruta que foi batizada por Bingham como “Tumba Real”. Se deduz que ali se encontrava uma múmia de um Soberano Inca ou Soberano de Machupicchu. A relação é lógica: o Inka enterrado debaixo do templo de seu pai, o Sol. Supõe-se que esta pequena gruta estivesse relacionada com o Ukju Pacha (“mundo subterrâneo”) e o culto aos mortos. Na parte interior da gruta existem duas cavidades trapezoidais e também um signo talhado no chão. No Império Inca todos os cadáveres eram embalsamados em posição fetal com a diferença de que as múmias dos nobres eram guardadas em templos enquanto que as múmias de pessoas comuns eram enterradas em cemitérios. Dentro do complexo do Templo do Sol também se encontra uma construção de dois cômodos conhecida como “Recinto do Sacerdote”. Por sua localização acredita-se que servia de morada para o Willaq Uma ou SumoSacerdote.

 

Bem ao lado do Templo do Sol observa-se uma fileira com 16 fontes que possivelmente eram usadas para fins religiosos. No Império Inca a água era considerada como uma divindade especial e era comum a construção de fontes e reservatórios para seu culto. A fonte principal se localiza diante de uma construção de apenas três paredes que na arquitetura Inca é denominada como “Wayrana”. Supõe-se que foi um centro cerimonial de onde o “Willaq Uma” (Sumo Sacerdote) conduzia cerimônias em adoração à água. Hoje, a água não escorre mais pelos canais porque é desviada para servir aos turistas no hotel que fica próximo às ruínas. Antigamente a água era captada desde uma nascente localizada atrás da montanha de Machupicchu, correndo por um canal paralelo à trilha Inca e passando através de Intipunku.

 

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