A caminhada é dura; falta ar. Mas a Trilha do Salkantay compensa tudo

Salcantay Trek

Salcantay Trek

 

A caminhada é dura; falta ar. Mas a Trilha do Salkantay compensa tudo

Esse trajeto de sete dias e 50 km em solo peruano leva às imediações de Machu Picchu. Com todo conforto

 

Adriana Moreira – O Estado de S.Paulo

 

Adriana Moreira/AE

 

TREINO – O corpo precisa se adaptar à altitude antes de cair na estrada

CUZCO – Majestosas, as montanhas emolduram a paisagem durante todo o trajeto. As nuvens ora tocam o chão, ora escondem os picos nevados, como em um sonho. A Trilha do Salkantay, entre o povoado de Mollepata e o vale do Rio Vilcanota, já nas imediações de Machu Picchu, no Peru, leva o viajante a uma caminhada de sete dias por cenários dignos de um filme, que surpreende a cada tomada.

 

 

 

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O caminho, de 50 quilômetros (veja o mapa acima), é uma alternativa para chegar a Machu Picchu sem percorrer a saturada Trilha Inca, cuja fila de espera chega a quatro meses. Até o ano passado, o privilégio de ver a vegetação se transformar de dourada e rasteira a verde e exuberante durante o trajeto era uma exclusividade de mochileiros, dispostos a acampar pelo caminho, onde a temperatura, em muitas noites, desce abaixo de zero grau.

 

Nessa região não há luz elétrica ou estradas. O transporte é feito por meio de mulas. E é preciso estar preparado para tudo: o clima e a temperatura podem mudar a qualquer momento. Chuva fina ou forte, rajadas de vento, sol, muito sol. Ou frio, muito frio.

 

Chegar, portanto, a uma casa quente, com luxos como uma jacuzzi para relaxar os músculos cansados e um chef que prepara, com capricho, iguarias típicas da cozinha peruana, pode parecer miragem. Nada disso. O Mountain Lodges of Peru segue uma tendência de hotéis que têm o luxo como sinônimo de conforto e de serviços – e não de ostentação. A arquitetura privilegia a harmonia com o ambiente e utiliza recursos locais. No lugar de objetos dourados e esculturas romanas, artesanato e fotografias de manifestações culturais peruanas.

 

São quatro hotéis exclusivos, erguidos estrategicamente em pontos de parada dos trekkers. A idéia é atrair um público que gosta de aventura, mas não está disposto a enfrentar os perrengues inerentes a boa parte dos roteiros.

 

Os aventureiros partem do Soray Lodge, o maior, com 12 quartos. Como parte do processo de aclimatação, os grupos passam duas noites ali. Por isso, é o único onde existe a probabilidade de duas expedições se encontrarem; nos outros três, a exclusividade é total.

 

VILÕES

 

O oxigênio rarefeito pode ser o principal inimigo do aventureiro. O grupo parte já de 3.800 metros e, durante a expedição, chega a 4.650. Por isso, aclimatar-se é fundamental. O processo começa ainda em Cuzco, capital do império inca, onde os viajantes passam duas noites antes de seguir para Mollepata. As duas primeiras trilhas antes de começar a jornada entre lodges também ajudam na adaptação do organismo.

 

A chegada ao Soray Lodge pode ser feita de carro ou a pé. A caminhada não vale pela beleza, mas é importante para preparar os pulmões para os próximos dias. Isso sem falar na providencial pausa nos chacoalhões da van pela estrada de terra.

 

Há duas opções de trilha. A primeira, de cinco horas e 12 quilômetros, tem um longo trecho de subida, com uma bela vista do alto. A segunda, totalmente plana, tem três horas de percurso em uma estrada de pedregulho, onde os carros ainda têm acesso, mas são raros. Trekkers que vão acampar pelo caminho, no entanto, são vistos em todo o trajeto.

 

Além da altitude, as bolhas são outros vilões, que teimam em aparecer nos piores momentos, atrapalhando os protagonistas (veja como evitá-las nas dicas da página 7). Como coadjuvantes, surgem povoados isolados e personagens cheios de histórias para contar. Todos os elementos de um roteiro digno de um Oscar. E com direito a final feliz.

 

Viagem feita a convite do Mountain Lodges of Peru

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