National Geographic pede que Yale devolva objetos de Machu Picchu

Machu PichuWASHINGTON, por César Muñoz Acebes – Terry Garcia, vice-presidente da National Geographic, revisou pessoalmente os documentos legais sobre os objetos encontrados em 1912 em Machu Picchu e não tem dúvidas: a Universidade de Yale precisa devolvê-los ao Peru.

“Nós fomos uma das partes nesses acordos, a National Geographic esteve ali presente, sabemos o que foi dito e que os objetos eram um empréstimo, que deviam ser devolvidos”, afirmou, em entrevista, Garcia, que trabalhou grande parte de sua vida como advogado.

Agora, ele é responsável pelos programas mais importantes da National Geographic, uma das maiores instituições científicas do mundo, mas adquiriu um interesse pessoal pelos objetos que Hiram Birgham, um professor de história da Yale, desenterrou em 1912 dos túmulos de alguns habitantes da cidadela inca mais famosa do mundo.

Garcia jura que a Yale agiu mal ao ficar, por quase um século, com as milhares de peças e fragmentos de cerâmica, osso e metal levadas por Birgham. O explorador se deparou com Machu Picchu em 1911 pelas mãos de habitantes do vale sagrado do rio Urubamba.

A National Geographic co-patrocinou, junto com Yale, as expedições de 1912 e 1914-15 de Birgham, por isso a voz de Garcia sobre o assunto tem um peso singular.

Em 1913, a revista dedicou um número inteiro a Machu Picchu, no qual publicou fotos de muros semi-escondidos pela vegetação e aldeões incomodados com as câmeras. A entidade se tornou um apoio vital no processo impetrado pelo ex-presidente peruano Alejandro Toledo para que a Yale devolvesse as peças, que foi seqüenciado por seu sucessor, Alan García.

Na entrevista, o vice-presidente da National Geographic reiterou a oferta ao Peru de “fornecer qualquer ajuda e assistência que pudermos”. As negociações estão atualmente em um ponto morto. O Governo de Lima tinha proposto uma reunião neste mês no Peru, mas a Yale rejeitou o encontro, alegando conflitos de agenda.

Em vez disso, a universidade americana sugeriu um encontro em Washington antes do fim do verão (hemisfério norte), segundo Thomas Conroy, um porta-voz da instituição. A universidade declara que a lei a respalda, mas não perguntou a opinião da National Geographic, seu parceiro nas expedições de Bingham.

“Não importa minha resposta a eles”, disse Garcia. “Inclusive, caso seja possível construir um argumento técnico sobre se expirou o prazo máximo para pedir a devolução ou não, são ditas as palavras mágicas no contrato, todos sabiam qual era a intenção, eles sabiam que (as peças) eram um empréstimo.” E disse à Yale: “não se esconda atrás do direito para ficar com algo que sabe que não é seu”.

Para chegar a essa conclusão, Garcia mergulhou nos documentos legais da época pouco após assumir o cargo na National Geographic, em 1999, após ter sido secretário-adjunto de Comércio dos Estados Unidos.

Um papel fundamental é o decreto do Governo que autorizou a escavação de 1912, que dizia que o Peru tinha o direito de exigir “a devolução dos objetos únicos e dos duplicados retirados”.

A Yale defende que esse decreto não revogou o código civil do Peru de 1852, que permitia ficar com os objetos arqueológicos encontrados em seu território, segundo a interpretação do texto feita pela universidade. Também aponta que o Governo não pediu o retorno das peças até que o Executivo de Alejandro Toledo desencavou o tema em 2002.

Garcia rejeita esses argumentos e acredita que a lei está do lado do Peru. A Yale também alegou, segundo Garcia, que o retorno dos objetos criaria um precedente perigoso para o resto dos museus do mundo, onde existe uma infinidade de objetos de outros países.

“Isso é uma bobagem”, disse Garcia, que destacou que o caso de Machu Picchu é “único”, porque há documentos que deixam claro que os objetos deveriam ser devolvidos.

Por enquanto, eles continuam armazenados em um porão em frente ao Museu Peabody de Yale, a milhares de quilômetros da cidade envolvida em névoa de onde saíram.

Leia mais sobre: arqueologia, Machu Picchu

 

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